quinta-feira, 2 de julho de 2009

Minha vida e o progresso da Etiópia - A autobiografia de Haile Selassie I

Honras e Glória Poder e Domínio, Força e Majestade, Pertencem somente ao Senhor Deus Pai, ao Senhor Deus filho, ao Senhor Deus Espírito Santo, Aquele que do ponto de vista dos céus da Etiópia Zion, é Haile I Selassie I JAH RASTAFRI, Rei dos Reis Senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá, Eleito de Deus para Reina em seu Santo Trono, o único digno de abrir os selos do livro, trazendo a Libertação, Redenção e Repatriação Internacional. O Reino de JAH não tem fim!
Minha vida e o progresso da Etiópia – A autobiografia de Haile Selassie I
Prefácio
Uma casa construída no granito e em fortes alicerces, nem mesmo o ataque furioso da tempestade, torrentes efusivas, e ventos fortes serão capazes de derrubar. Algumas pessoas escreveram a história de minha vida, representando como verdade o que de fato deriva da ignorância, erro, ou inveja; mas eles não podem abalar a verdade deste lugar, mesmo que eles tentem fazer os outros acreditarem nisso. Nesse momento, em que eu encontrei uma oportunidade e tempo para escrever a história de minha vida, eu prefacio apresentando a seguinte oração ao meu Criador e então continuo esse trabalho. Ó Senhor, Todo-Poderoso no qual não há fraqueza, eterno no qual não existe transição; em admiração ao Teu trabalho e também Teus julgamentos, um ser, mesmo depois de muita procura, não pode entende-los – exceto uma parte limitada. É um misterioso segredo que uma criatura, mesmo depois de muita exploração não entende, mas, apenas Tu sabes: porque num passado recente assim como agora Tu fizestes o povo Etíope, do pobre ao Imperador, se afundar num mar de aflição por um período, e porque Tu fizestes com que o povo Italiano e seu Rei, nadassem num mar de alegria por um tempo. Visto que nenhum ser criado conforme Tua imagem e Tua semelhança, desacredita que tudo que ele Te pede lhe será dado até o dia em que Tu separas sua alma de seu corpo, nós suplicamos a Ti que a Etiópia não permaneça com sua liberdade extinta e que se abata sob um governo estrangeiro, e também que a boca do povo não seja silenciada pelo medo de um governante estranho, mas sim que Tu os salvará pelos Teus atos de bondade, para que não permaneçam com seus corações oprimidos por serem privados de seu governante Etíope, que os estava conduzindo para a civilização sob a luz e com alegria. Ó Senhor, lar dos exilados, luz do cego! Verdade e justiça são Teu trono. Acolha a nós que fomos exilados de nossa própria liberdade, que tivemos que deixar nosso país em virtude da violenta agressão. Assim rogo a Ti, não por nossa retidão, mas pela Tua grande misericórdia. E agora eu estou começando a escrever a história de minha vida do meu décimo terceiro ano até agora, com base no que Tu tens feito, fazendo-me Teu instrumento. Eu rezo a Ti que seja Tua vontade deixar com que isso se conclua. É correto para mim, revelar neste prefácio o motivo que me fez escrever isso, embora de Ti nada seja segredo. Primeiro: que Teu nome seja louvado por todas as ações que Tu fazes, agindo de acordo com Tuas vontades. Segundo: quando Tu fazes um homem rico nas honras deste mundo e o coloca acima de outras criaturas, é sabido que não é por seu mérito, mas somente por Tua benevolência e generosidade. Terceiro: em cada linha dessa história, onde o nome de uma outra pessoa é mencionado, não é por parcialidade ou inimizade – salvo em erros – mas Tu sabes que nosso coração está fazendo o juízo de escrever somente a verdade. Quarto: embora não exista nada que não esteja escrito nas Escrituras Sagradas, se Tu me permitir escrever conforme planejei, talvez nossos parentes e nossos irmãos que virão no futuro tomem conhecimento da palavra que Tu dissestes “porque sem mim nada podereis fazer” e seus corações se convençam que apenas com a Tua ajuda eles serão capazes de realizar qualquer coisa. Quinto: a não ser que um homem execute sua tarefa por sua própria resolução e perseverança consciente de ser Tua ferramenta, seja nos momentos de alegria ou de tribulação, ele deve perceber que tem que trabalhar com sua habilidade natural ou com a educação que tenha adquirido, pois sua responsabilidade não cessará, nem se ele agir unicamente sob a vontade de outro homem. Sexto: em qualquer tarefa que seja, que todos percebam e se convençam que ela será realizada no momento correto e que é impossível a concluir apenas desejando ou apressando-a indevidamente. Eu rezo a Ti que tudo isso esteja em total acordo com Tua vontade.
Introdução
Seja qual for a tarefa, o homem pode começá-la mas não pode completa-la, a menos que Deus lhe sustente e lhe apóie. Se ele falhar na conclusão da tarefa em que foi designado, tendo trabalhado com o melhor de sua habilidade, ele não será difamado sendo chamado de preguiçoso. Assim, Nós, em virtude de Nossa descendência da Rainha de Sabá e Rei Salomão, desde que aceitamos cuidar, em 1916, primeiro da regência do reino da Etiópia e posteriormente a dignidade Imperial, até o presente, Nós temos dado o melhor de Nossa habilidade para melhorar, gradualmente, a administração interna introduzindo ao país os modos de civilização ocidental, nos quais Nosso povo pode atingir um nível mais elevado; daí Nossa consciência não Nos repreende. Em explicação da noção de “gradualmente”: a menos que seja persuadindo uma criança e acostumando-a, ela não ficará satisfeita se alguém lhe tirar o que foi aprendido com suas mãos. Quando alguém da para um bebe qualquer tipo de comida, ele não vai desejar come-la, a não ser que alguém a mostre à criança e deixe-a provar. Salvo se derem leite ou outra comida macia até que lhe cresçam dentes, ele não será capaz de comer quando colocarem pão ou carne diante dele.
E similarmente com pessoas que viveram apenas por costumes, sem aprender na escola, sem absorver sabedoria pelo ouvido ou observando e procurando com os olhos, é necessário acostuma-los, através da educação, a abandonar hábitos antigos, faze-los aceitarem novos modos – não por métodos apressados ou cruéis, mas com paciência e estudo, gradualmente e em um período prolongado. Em 1908-9 o Imperador Menelik adoeceu e teve de ficar um tempo casa; logo depois Ras Bitwaddad Tasamma, regente de Ledj Iyasu, morreu subitamente. Como conseqüência, Ledj Iyasu, que tinha aceitado a autoridade para comandar o governo, ficou por seis anos incapaz de segurar sua responsabilidade. Quando eu mesmo assumi essa responsabilidade em 1916, foi necessário corrigir a caótica negligencia de seis anos inteiros e dar inicio a um trabalho ainda não iniciado, isto é, de introdução à nova civilização. Passei meu tempo trabalhando no melhor de minha habilidade, enquanto minhas próprias idéias e o gosto do povo pelos costumes antigos me apertavam como madeira entre dois pedaços de ferro. Tinha muito pouco tempo para ficar a toa e fazer coisas agradáveis. O que eu defino ser correto em termos de administração interna, já iniciada num estagio anterior, as inovações que eu trouxe, e tais aspectos inspirados na civilização estrangeira como introduzi no país, serão encontrados na seqüência, cada um no seu devido lugar. Para acrescentar, as vezes encontrávamos algumas dificuldades, tanto internas quanto externas, que foram espalhadas pelos nativos ou por estrangeiros e que representavam obstáculos para Nosso trabalho de inovação. Portanto, isso foi essencial para seguir pacientemente, visando evitar confusões, derramamento de sangue e divisões tribais. Eu estava ciente, antes mesmo de entrar no governo, que o conflito interno constituiu em uma contribuição útil para o esquema de nossos inimigos.
Nós ficamos particularmente convencidos, pelas políticas dirigidas contra Nós, que o coração dos inimigos estava tomado pela inveja na nossa criação de uma constituição para fortalecer e consolidar a união da Etiópia, na abertura de escolas para meninos e meninas, na construção de hospitais dos quais a saúde de Nosso povo fosse assegurada, assim como vários outros tipos de iniciativas Nossas pelas quais a independência da Etiópia seria afirmada, não somente em termos de históricos mas como fato atual. Por esta razão, enquanto Nós tivemos grande cuidado para prevenir qualquer divisão entre Nosso povo, Nós não queríamos tomar nenhuma medida coerciva que pudesse parecer opressiva ao Nosso povo.
Enquanto Nós estávamos engajados em todo esse trabalho cuidadoso e estávamos começando a guiar Nosso povo na estrada para a civilização, Nosso inimigo levantou-se com violência enviando ao Nosso país muitas tropas com equipamentos modernos, também numerosos aviões e tanques de guerra, quebrando a aliança das nações e lutando contra nós com metralhadoras, artilharias e com armas modernas muitas vezes superiores em qualidade e quantidade ao nosso equipamento. Nós discursamos um apelo a Liga das Nações e, com Nosso coração livre de pânico, encorajamos Nossos exércitos. Enquanto resistimos firmemente e nos defendemos, eles nos jogaram todos os tipos de veneno e fumaça de gazes que eram capazes de causar danos sérios e que eram proibidos pela lei internacional. Eles jogaram muitas bombas em nós e até bombardearam médicos da Cruz Vermelha Internacional e seus equipamentos médicos, impedindo assim que os feridos por bombas e metralhadoras ou que estivessem sufocando com gases venenosos pudessem receber atendimento médico. Nós mesmos lutamos por nossa liberdade em batalhas como qualquer soldado comum e reunimos as tropas como qualquer outro agente. Devido a Nossa incapacidade de conseguir um empréstimo para a compra de armas, Nós não tínhamos equipamentos de defesa adequados – exceto algumas armas modernas. Depois que resistimos ao máximo de nossa capacidade com armas de quarenta anos, fomos derrotados em um momento, mas não vergonhosamente. O motivo pelo qual retornamos para Addis Ababa, o porque partimos de Addis Ababa para o exterior e todas as outras questões serão encontradas a seguir em seus lugares apropriados. Gostaríamos, portanto, de relembrar, confiantemente e sinceramente, todos aqueles que são Etíopes a persistirem incessantemente, esforçando-se ao máximo de suas habilidades no estudo do passado da Etiópia desde as fases mais antigas da história para que sua liberdade não seja extinta totalmente no futuro, especialmente porque a Etiópia já foi oprimida por perigos que deram origem a uma ansiedade por sua independência; e Nós desejamos igualmente que aqueles que não são Etíopes, mas odeiam agressão e amam verdade e justiça, não parem de apoiar a causa da liberdade Etíope, o povo em geral através de opiniões e os sacerdotes com suas orações. Haile Selassie I Imperador da Etiópia Bath, Inglaterra Escrito em fevereiro de 1937 Minha vida e o progresso da Etiópia – A autobiografia de Haile Selassie ICapitulo 1 – A historia da minha infância até minha nomeação como Dejazmatch (1892-1906) Ras Makonnen, pai de Tafari Meu pai, Sua Alteza Ras Makonnen, era filho da Princesa Tanagna Warq, filha do grande Rei Sahla Selasse de Shoa. Seu pai era Dejazmatch Walda Mika’el Walda Malakot da nobreza de Doba e Manz. Ele nasceu em 8 de maio de 1852 (= 1 de Genbot de 1844) em um lugar chamado Darafo Maryam, no distrito de Gola. Ras Makonnen permaneceu com seu pai por cerca de 14 anos; isso foi, obviamente, quando Menelik II, o filho do tio de Makonnen, o Rei Hayla Malakot, ainda era apenas Rei de Shoa. Então, seu pai, Dejazmatch Walda Mika’el, o levou até Menelik e disse: “Deixe que este meu filho, prole de sua tia, cresça com você no seu Palácio”. E Menelik fez Makonnen seu companheiro especial, sem considerar laços familiares. Posteriormente, desde que o Rei Menelik ficou convencido da lealdade e da habilidade no serviço de seu governo (tendo testado ele muitas vezes em várias tarefas), ele lhe deu o título de Balambaras quando tinha 24 anos, em 1876 (= 1868). Nesse momento, Makonnen casou-se com Wayzaro Yashimabet, minha mãe, sua fiel esposa. Enquanto Menelik II ainda era apenas Rei em 1886/7 (= 1879), ele conduziu uma expedição militar até a região de Harar e recuperou essa antiga província para a Etiópia. Desde então, ficou entendido para ele que meu pai era valioso na batalha, um amigo, e líder dos soldados, ele o nomeou na época da ocupação de Harar, Governador da cidade e também de sua província como Comandante-Chefe com o título de Dejazmatch. E similarmente, depois que Menelik II foi ungido Rei dos Reis da Etiópia, ele elevou meu pai ao alto cargo de Ras em abril de 1890 (Miyazya 1882). Quando meu pai conduziu as expedições militares na região de Harar, ele deixou em Shoa minha mãe, Wayzaro Yashimabet, sua legítima esposa, com quem se casou de acordo com o costume Cristão. Quando a guerra acabou e o lugar ficou tranqüilo, ele a deixou ir para Harar. Ele então assegurou a região de Ogaden que ainda não era incorporada à província de Harar. Enquanto temporariamente ele ainda tinha que fazer planos de guerra, ele ainda continuou a aliviar os encargos fiscais, o que pesou fortemente sobre a população.
Eu nasci em 23 de julho de 1892 (= 16 de Hamle 1884), no ano de John, em Ejarsa Goro, não muito longe de Harar. Wayzaro Mazlaqiy, a filha da irmã de meu pai Wayzaro Ehta Maryam, casou-se com Dejazmatch Hayla Sellasse Abaynah; quando eu tinha 4 meses de idade ela seu a luz a to Emru (agora Ras Emru), e nós dois crescemos juntos, como se fossemos gêmeos. Quando tínhamos sete anos, meu pai contratou um professor particular e começamos a ter aulas em nossa casa. Em nosso décimo ano, três anos após começar nossa educação, éramos capazes de ler e escrever em Amharic e Ge’ez. Nossa educação era semelhante a do povo pobre, e lá não tinha moleza como no caso dos príncipes da época. Minha mãe, Wayzaro Yashimabet, estando com apenas 30 anos de idade, morreu no dia 14 de março de 1894 (6 de Magabit de 1886) e foi enterrada nos arredores da igreja de St. Michael em Harar. Ouvi tudo isto, obviamente, muito depois daqueles que foram encarregados da minha educação. Muitos foram os meses que meu pai, S.A. Ras Makonnen, teve que gastar viajando para Addis Ababa e em expedições militares para outras províncias da Etiópia, de fato, mais do que ele podia permanecer governando em Harar. Ele também ia para outros países como enviado do governo. Aqui estão algumas das viajens realizadas por meu pai: em 1888/9 (= 1881) ele foi enviado para a Itália; em 1896/6 (=1888), durante a operação militar em Alage, ele conduziu a expedição militar como Comandante Chefe e foi acompanhado por Ras Wale, Ras Mika’el, Ras Mangasha Atikam, Ras Alula, Dejatch Walde, Fitawrari Gabayahu, Fitawrari Takle, Liqa Makwas Adnaw, e Qagnazmatch Taffasa; em 1897/8 (= 1890) ele realizou uma operação militar no oeste da Etiópia, na fronteira com o Sudão, num lugar que era chamado Arab; hoje essa é a região que atende por Beni Shangul. Em 1898/9 (= 1891), a partir do momento que foi reportado que Ras Mangasha, o Governador da província do Tigre, se rebelou contra o Imperador Menelik, Ras Makonnen foi despachado para Tigre e trouxe a reconciliação entre Mangasha e o Imperador. Posteriormente, a fim de salvaguardar a segurança da província – assim como fez quando ocupou Harar – ele permaneceu em Tigre por cerca de dois anos, e então, retornou. Em 1902 (= 1894) ele foi enviado a Inglaterra para a coroação do Rei Edward VII. Além disso, foi ele quem teve que executar e concluir todas as relações comerciais com outros países, o que nos dias de hoje, é feito pelos Ministros Ministros de Relações Exteriores. E, portanto, ele tinha tinha que ir e vir de Addis Ababa todo ano sendo convocado para tratar com o Imperador Menelik todo assunto pendente, depois de se corresponderem por cartas e conversas por telefone. Como ainda não existia ferrovia como hoje, a jornada em marcha lenta de Harar até Addis Ababa levava um mês. Desde que meu pai viu a civilização Européia, tendo ido duas vezes a Europa, e desde que ele estava convencido do valor da educação, por conversas com alguns dos estrangeiros que vieram a Etiópia, ele desejou fortemente que Eu aprendesse com eles uma língua estrangeira. Meu pai fundou um hospital na sua cidade de Harar e empregou um cavalheiro da colônia Francesa de Guadeloupe, um físico chamado Dr. Vitalien. Com isso em mente, meu pai quis que o doutor nos ensinasse Francês por uma hora ou mais por dia, nesse periodo ele poderia ficar afastado dos doentes; e então começamos nossas aulas.
Meu pai tinha um forte desejo de ver o povo habituado ao trabalho de civilização que ele tinha visto na Europa, e de dar inicio a isso em seu governo. Foi por esta razão que ele fundou o primeiro hospital na sua cidade de Harar. Um ano depois da morte de meu pai o Governo Francês comprou este hospital de Menelik II, sob o seguinte acordo, de 50.000 francos. O Leão da Tribo de Judah prevaleceu. Menelik II, Eleito de Deus, Rei dos Reis da Etiópia. Destinado a Dejazmatch Yelma. Como vai você? Graças a Deus, estou bem. M. Klobukowski, o Enviado Especial e Ministro Plenipotenciário na Etiópia, adquiriu, em nome do Governo da República Francesa, o hospital que Ras Makonnen construiu em Harar, e ao qual, o Governo francês tinha um médico para cuidar dos doentes do nosso país. E, portanto, tenha a planta do terreno e as dimensões deste hospital, além do registro de propriedade copiados e envie-os à M. Naggiar, o Cônsul Francês em Harar. Entregue no dia 5 de agosto de 1907 (= 29 de Hamle de 1899) na cidade de Addis Ababa. Meu pai estava ansioso que Eu aprendesse Francês o mais rápido possível, pois ele ficou convencido que as aulas de uma hora ou mais do Dr. Viralien’s não nos levaria ao seu objetivo, ele teve uma breve conversa com Abba Andreas que residia na cidade de Harar. Ele nos enviou um Etíope, chamado Abba Samuel, que tinha crescido como aluno no estabelecimento de sua missão. Ele começou a nos ensinar com carinho e atenção. Mesmo assim, nós não desistimos de nossas aulas diárias com o Dr. Vitalien. Abba Samuel, nosso professor, era o filho de Alaga Walda Kahen. Ele é o Walda Kahen que foi convertido ao Catolicismo quando Abba Masyas, da missão Italiana, chegou em Shoa. É por esta razão que seu filho Abba Samuel entrou na Missão Católica e estudou lá. Abba Samuel era um bom homem que possuía grande sabedoria, que se aplicava para aprender e para ensinar, que na bondade e humildade absorvia conhecimento de todos como uma abelha, que era dedicado ao amor de Deus e a seu próximo, e que não se esforçava para gozar dos prazeres da carne, mas sim da alma. Eu estou dizendo isso, pois Eu o conheci extremamente bem enquanto estivemos juntos por dez anos. Como foi descrito no prefacio deste livro, Eu decidi escrever uma lembrança do meu trabalho começando quando tinha treze anos; tudo que eu tinha feito antes disso foi sob supervisão e orientação de meu tutor. Dos treze anos adiante, minha força física pode não ter sido grande, mas meus poderes espirituais e intelectuais começaram a aumentar progressivamente, portanto, tinha a porta de entrada do mundo aberta. E este foi o momento que eu comecei a agir por vontade própria, sem ser ordenado por meu tutor. Distinguindo o bem e o mal, e consciente que esta ação ofenderia alguns, e que daria prazer, sendo prejudicial, mas por outro lado útil, e então, Eu comecei a subir a ladeira da introdução ao mundo.
Como o amor que existiu entre S.A. meu pai e eu era muito especial, posso senti-lo até hoje. Ele sempre me elogiavapelo trabalho que Eu estava fazendo e por ser obediente. Seus oficiais e seus homens costumavam gostar de mim muito respeitosamente, pois eles percebiam a adimiração e afeição que meu pai tinha por mim. Eu observava S.A, meu pai se esforçando para cumpirir, ao máximo de sua habilidade, as leis Cristãs, doando seu dinheiro aos pobres em dificulades e para a igreja, e rezando em toda hora conveniente. Conforme Eu crescia, o desejo espiritual estava me guiando a imitá-lo, e também me dizia que seu exemplo deveria habitar dentro de mim. Não há ninguém que não conheça o modo de vida de meu pai como descrito logo acima, nem no Palácio ou entre o clero. Dos grandes daquela época muitos ainda estão vivos enquanto este livro é escrito, e todos sabem que isso não é exagerado. A medida em que meu pai percebeu que toda minha inclinação se direcionava para a educação, sua alegria cresceu constantemente juntamente a sua afeição.

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